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Maris Harada: 3 lições de marketing do U2 – #insight3 (propósito)
Por Maris Harada
31/10/2017
Fãs e não fãs ficaram estarrecidos com a turnê U2 The Joshua Tree 2017,  que passou pelo Brasil nas últimas semanas. Quem não foi perdeu a chance de testemunhar um show antológico, que vai entrar para a história da música… E do marketing. Só em São Paulo, a banda levou 70 mil pessoas ao Morumbi por dia, com um ingresso pra lá de caro. Foram 4 dias de show. Faz a conta…

E por que quase 300 mil pessoas se mataram para conseguir um ingresso?

Porque o U2 é a grande banda de todos os tempos, em diversas épocas, década após década. É uma marca atemporal, que une gerações. Discorda? Eu explico. (Ou rola até a foto do show pra você ir direto às lições de marketing do U2).

Comecei minha carreira como fã do U2 na década de 80. Me lembro que o primeiro CD que eu ganhei na vida foi o Rattle and Hum, que até hoje faz parte da minha coleção. É este aí escrito em japonês. Foi trazido do Japão pela minha mãe, junto com o meu primeiro Compact Disc Walkman. Foi amor à primeira vista! O encarte era lindo, as letras muito profundas e, após pesquisar em fanzines e revistas de rock, descobri que todas tinham uma paixão, um propósito. Me identifiquei demais e essa admiração só cresceu com o passar do tempo. 

A lei do propósito no marketing chegou com o guru Philip Kotler em seu Marketing 3.0, publicado no início de 2010. Bem resumidamente, o livro comprova a tese de que só sobreviverão as marcas que entenderem o consumidor como seres humanos, com sentimentos, emoções e não apenas necessidades. Ou seja, marcas com fortes propostas de valor. De lá pra cá, todo mundo sai correndo atrás de um propósito. Ou pra desenvolver o seu value proposition.

Mas o U2 já nasceu assim. “A band before we could play”, como Bono definia o U2 nas suas primeiras entrevistas. A paixão e a vontade de mudar o mundo uniram Larry Mullen, Adam Clayton, Bono e The Edge numa cozinha em Artane (do Larry) pra nunca mais se separarem. Acho que é a única banda de rock que mantém sua formação original até hoje. Coincidência?

Além de propósito verdadeiro, o U2 é amigo da tecnologia, acompanha a evolução do mundo tem a humildade de adaptar sua linguagem musical para se conectar a cada geração. Sem se vender, sem fingir, sem alterar sua essência. Quer exemplos? Participação do B.B. King na gravação de Desire no final da década de 80, choque na comunidade musical com o lançamento de Achtung Baby no início da década de 90 e com o U2 Pop no final dela. O que foi o Beautiful Day no início dos anos 2000? Me prova que não é uma música para os millenials. Vou terminar as citações de inovação com a turnê do 360o e o seu palco giratório.

Agora vamos ao que interessa. Tudo isso foi só uma introdução para falar das 3 lições de marketing do U2 The Joshua Tree Tour 2017.

1. CONEXÃO. Lembre seu público de quem você é. Versão intimista no início do show com os músicos praticamente no meio da galera, tocando como se ainda fosse a década de 80. Eu mal consegui ver… Só consegui tirar essa foto horrível nos segundos que fiquei no ombro do meu marido. Aquele baita som numa experiência sensorial única. Única porque a audição era o único sentido que funcionava já que não dava pra ver nada mesmo. E o telão quadrado enorme morreu. Pensamos que a experiência ia ser ruim, mas de repente me lembrei da história da cozinha do Larry Mullen que eu já relatei acima.

 

2. TECNOLOGIA. Ela te dá asas. De repente… O telão não era aquele quadrado enorme, era o palco inteiro. Um telão de 8k, que brincou com as emoções do público e da banda, numa espécie de realidade aumentada misturada com virtualidade do real. Incrível. Ora projeções gravadas e editadas interagiam com o público do show. Ora efeitos visuais eram aplicados sobre as tradicionais transmissões ao vivo do show para o telão do estádio. Sem falar na câmera que o Bono usa para captar imagens sob a sua perspectiva. Mas tudo isso é assunto para o post do Fred Pimenta. Ele me mata se eu contar!

 

3. PROPÓSITO. Deve estar presente em tudo que a sua marca faz. E isso só é possível quando a proposta de valor é verdadeira. Nunca tente enganar seu público. A inovação e a tecnologia se uniram para ajudar o U2 a contribuir para um mundo melhor. Seja quando eles tocam junto com a banda marcial da marinha britânica em Red Hill Mining Town. Seja quando eles dedicam à música Ultra Violet (Light My Way) para todas as mulheres do mundo que lutam pelos seus direitos e pela igualdade. E o telão se preenche com figuras femininas do mundo inteiro, de todos os tempos, de todas as lutas: de Frida Kahlo a Angela Merkel, Irmã Dulce, Madre Teresa e as brasileiras Chiquinha Gonzaga, Tarsila do Amaral e Taís Araújo, entre outras tantas. Ou seja até mesmo na escolha da camiseta do Larry Mullen “Censura Nunca Mais”.

Bem, that’s all folks. I still haven’t found what I’m looking for, but I keep trying.

Maris

 

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Insight 1 – Publicidade mobile

Insight 2 – Empatia

 

editado em 01/11 para correção de info

 

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